Primeira vez no restaurante japonês


Para muita gente, restaurante japonês ainda é um lugar esquisito onde a comida é fria e o guardanapo quente. Mas quem não se intimida com essa primeira impressão e conhece alguns dos sabores, aromas e costumes nipônicos sabe que, apesar do choque cultural, a gastronomia japonesa tem pratos fantásticos. Hoje, o Brasil está lotado de casas desse tipo e sushis, sashimis, temakis e yakisobas fazem parte da vida de milhares de pessoas. Em São Paulo, por exemplo, tem mais restaurantes japoneses do que churrascarias. Para você que ainda tem dúvidas sobre o ritual da visita ao restaurante japonês, preparamos dicas que vão ajudar a esclarecer suas interrogações.
 

1. Boas vindas - Ao entrar em um restaurante japonês, os garçons e sushimen vão saudar você dizendo “irashaimasê” em uníssono. Essa expressão quer dizer “Seja Bem-Vindo”. Você não precisa fazer nada. Apenas acene com a cabeça ou sorria -- essas, provavelmente, serão suas reações automáticas. Se for se acomodar em uma daquelas salinhas com mesa baixa e piso de tatame, tire os sapatos. Os japoneses têm esse hábito porque as solas dos calçados trazem sujeira das ruas, e o lugar onde fazemos as refeições deve ser sempre bem limpinho.
 

2. Antes de começar - Quando trouxerem à mesa aquelas toalhinhas quentes enroladinhas (oshiboris), pegue uma, abra e esfregue nas palmas e no dorso das mãos, nos dedos e no punho. Após usá-la, devolva a mesma à bandejinha onde ela foi trazida. Logo virá alguém retirá-la.
 

3. Com o que comer - Se você não sabe manusear os hashis (longos palitinhos de madeira usados para segurar a comida), não precisa ficar em pânico. Solicite aos garçons aqueles que já vêm com um elástico ou uma peça de plástico que facilita o seu uso. Se nem assim você conseguir se servir e pegar as comidinhas, então peça talheres ocidentais (garfo ou colher). Nunca peça uma faca, os nipônicos as consideram armas que não devem jamais ser trazidas à mesa.
 

4. Manuseando os hashis - Se estiver usando hashis, jamais espete-os na comida ou no arroz -- isso remete às cerimônias fúnebres do Japão. Quando não estiver manuseando os palitinhos, deixe-os descansando no suporte próprio para isso, sempre paralelos à borda da mesa, entre você e o prato. Preste atenção porque com garfos e facas costumamos fazer diferente: colocamos os talheres perpendiculares à borda da mesa. Ainda sobre os hashis, não chupe a sua ponta, não fique gesticulando com ele na mão, não use-o para coçar o rosto e nem aponte com ele para as pessoas.
 

5. Como comer - Quando o garçom trouxer à mesa um prato ou um barco com sushis (bolinhos de arroz cobertos com peixe cru) e sashimis (fatias de peixe cru), não é preciso montar um pratinho individual. Leve-os diretamente à boca. O correto é fazer uma “escala” com a comida na louça que o garçom já deverá ter posicionado à sua frente. Se quiser mais shoyu no seu sushi, mergulhe o lado do peixe no molho de soja. Não encharque o arroz ou o bolinho vai acabar se desmanchando. Ao temperar o sashimi, não precisa submergir a fatia de peixe no shoyu, molhe apenas parte dela.
 

6. No intervalo - Repare que na travessa onde vieram os sushis e os sashimis há um chumacinho de gengibre ralado. Ele está lá para você mastigar um pedaço sempre que for trocar de peixe. Ou seja, se você comeu um sushi de salmão e agora quer um de cavalinha ou agulhão, coma uma fatia de gengibre. Isso vai limpar o seu paladar e impedir que os sabores se misturem. Agora, se o último sashimi devorado for de atum, por exemplo, e você vai comer um sushi feito com esse mesmo peixe, não se faz necessário o uso gengibre.
 

7. Uma bocada - Não corte o sushi ou morda apenas um pedaço dele. Essa especialidade da comida japonesa foi criada para ser abocanhada de uma vez só. Cada bolinho tem mais ou menos o tamanho exato de uma mordida. Temakis (cones de alga recheados de arroz e peixe cru) evidentemente são exceções à essa regra.